
A esquizofrenia é uma doença crônica de neurodesenvolvimento que afeta até 1% da população mundial, mais de 20 milhões de pessoas (BILBAO et al., 2022). A patologia pode ter início no final da adolescência ou no início da vida adulta. Por sua vez, esses pacientes podem vir a apresentar o que se identifica como sintomas positivos - alucinações, dissociação, ou sintomas negativos - avolição, ou seja, falta de motivação ou pouco interesse em atividades diárias, profissionais ou sociais (AHMED et al., 2020). Além disso, observa-se que os transtornos por uso, ao mesmo tempo que há sintomas, de substâncias são mais comuns em pacientes esquizofrênicos do que na população geral. Ao observar este dado, o questionamento aparente é: As substâncias psicoativas, como a maconha, podem estar causando a esquizofrenia? E em pacientes que já possuem a doença, ela pode ajudar de algum modo? A maconha é a substância ilícita mais usada. Segundo Ahmed et al. (2020), ainda há o desenvolvimento de transtornos por uso de Cannabis, aumentando a chance de alguém ser 4 diagnosticado com Transtorno Esquizofrênico ao medir um dos componentes da planta, o Delta-9- tetrahidrocanabinol (THC). Em 2020, a Organização das Nações Unidas removeu a cannabis da lista de entorpecentes gerais do mundo, reconhecendo e incentivando a ideia de que há uso medicinal com o composto (BILBAO et al., 2022). Apesar de existir em grande quantidade o uso de cannabis recreativo - que geralmente é baixo em canabidiol (CBD) e alto em THC -, pode-se inferir pelas pesquisas atuais grande piora ou surgimento de sintomas esquizofrênicos (BILBAO et al., 2022). Existem também sequelas comportamentais em pacientes que consomem a cannabis devido a quantidade de inúmeros componentes canabinóides (BATALLA et al., 2019). Os mais estudados são o CBD e o THC. O THC é o principal componente psicoativo da planta de cannabis e discute-se muito os seus efeitos negativos (GREENWOOD et al., 2022). Alguns deles são a diminuição do processamento emocional e de recompensas, perda de memória, ansiedade e paranóia (SORKHOU et al., 2021). Em contraste ao CBD, os receptores ativados são diferentes, opostos ao THC. O CBD produz mais efeitos psicológicos, desprovido de efeitos psicomiméticos e sintomas prejudiciais ao que se sabe até o momento (PATEL et al., 2020). O uso isolado de CBD pode auxiliar o tratamento para psicose, por exemplo, porém ainda não se sabe a dosagem certa e individual com certeza (AMSTERDAM et al., 2018 e LARSEN et al., 2019). Mesmo que haja essa comparação, ainda não há muitas formas de dosar e diminuir o THC e utilizar o CBD em países que não regulamentaram o uso medicinal da planta (BILBAO et al., 2022). Portanto, há diferentes limiares, propriedades e componentes que podem ser explorados com o uso de canabidiol (SARRIS et al., 2020 e GHABRASH et al., 2020). Assim, o CBD pode ser cada vez mais estudado a fim de permitir o uso como tratamento para a esquizofrenia em muitos lugares do mundo no futuro.
Show LessBrandão Farias, G., Marques Rosa , A., Machado de Toledo , I. & Biângulo Lacerda Chaves, G. (2023). A RELAÇÃO ENTRE O CANABIDIOL E A ESQUIZOFRENIA [version 1] [preprint]. Evidence-Based Medicine at Unieuro (EBMU).
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